Virginia Fonseca é processada junto com a Blaze pelo MP
O MPDFT acusa Virginia Fonseca de publicidade irregular de apostas e cobra R$ 120 milhões em ação movida contra a influenciadora e a Blaze
- Publicado: 10/07/2026 08:34
- Alterado: 10/07/2026 08:34
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FolhaPress
O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) ingressou, nesta quinta-feira (9), com uma ação civil pública contra Virginia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze. A ação solicita que ambos sejam condenados ao pagamento de, no mínimo, R$ 120 milhões por danos morais coletivos, além da adoção de medidas para restringir a divulgação de conteúdos relacionados a apostas considerados irregulares.
O processo foi apresentado ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) após uma investigação iniciada em 2023. De acordo com o MPDFT, naquele período a Blaze ainda operava sem autorização federal. O órgão afirma ter recebido diversas denúncias de consumidores envolvendo retenção de valores, bloqueio de contas e dificuldades para sacar recursos depositados na plataforma. Além disso, a investigação reuniu um relatório com mais de 42 mil reclamações registradas contra a empresa.
Publicação durante a Copa do Mundo está entre os pontos da ação

Entre os episódios destacados pelo Ministério Público está uma publicação feita por Virginia Fonseca durante a Copa do Mundo de 2026. Conforme a ação, a influenciadora divulgou nos stories do Instagram uma aposta na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina sem indicar de maneira clara que a publicação possuía caráter publicitário.
Para os promotores, o conteúdo transmitia a impressão de uma recomendação espontânea, o que poderia incentivar seguidores a realizar apostas. O documento também sustenta que a influenciadora teria recebido uma comissão correspondente a 30% das perdas registradas pelos usuários atraídos por meio da campanha.
Em um dos trechos da ação, o MPDFT afirma que “a conduta da Blaze, em coautoria com Virginia Fonseca, e demais agentes de seu ecossistema empresarial, não se limita a ilícitos pontuais, mas estrutura uma engenharia predatória de exploração de vulnerabilidades cognitivas em escala massiva, gerando externalidades negativas sistêmicas”.
Ministério Público cita investigação e faz novos pedidos

Segundo estimativa apresentada pelo Ministério Público, a Blaze movimenta aproximadamente R$ 600 milhões por ano em receita bruta proveniente de jogos. A ação também menciona um inquérito conduzido pela Polícia Civil de Mato Grosso, que concluiu que a empresa utilizava influenciadores e celebridades para atrair consumidores por meio de promessas de ganhos rápidos.
Ainda de acordo com o processo, servidores do MPDFT criaram contas na plataforma para monitorar campanhas publicitárias e estratégias de marketing adotadas pela operadora.
Além da indenização, o órgão pede que Virginia Fonseca e a Blaze custeiem campanhas educativas voltadas aos riscos das apostas, do superendividamento e da ludopatia. Também requer que a influenciadora remova imediatamente das redes sociais conteúdos que prometam lucros irreais, incentivem apostas em eventos esportivos específicos ou utilizem publicidade disfarçada em publicações pessoais. Caso as determinações não sejam cumpridas, o MP solicita a aplicação de multa diária de R$ 500 mil.
Em nota divulgada pelo MPDFT, o promotor Paulo Binicheski afirmou que a iniciativa vai além da discussão sobre publicidade irregular.
“Estamos diante de um problema de saúde pública relacionado à ludopatia, que tem provocado graves prejuízos financeiros e sociais. A divulgação de apostas por influenciadores, associada à falsa percepção de ganhos fáceis e à minimização dos riscos, pode estimular o comportamento compulsivo e contribuir para perdas milionárias suportadas por consumidores.”
Defesa se manifesta e Blaze diz não ter sido intimada
A influenciadora já havia sido investigada anteriormente pela CPI das Bets. Em 2025, a relatora da comissão, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), solicitou o indiciamento de Virginia Fonseca pelos crimes de estelionato e propaganda enganosa. Na ocasião, a defesa declarou ter recebido o pedido com “surpresa e espanto“, afirmando que a influenciadora sempre atuou dentro da legalidade.
A defesa informou que tomou conhecimento da nova ação por meio da imprensa e declarou que apresentará sua manifestação no decorrer do processo. Os advogados negam qualquer prática ilícita ou conluio com a Blaze e afirmam confiar que a Justiça reconhecerá a improcedência dos pedidos formulados pelo Ministério Público.
Já a Foggo Entertainment Ltda., empresa responsável pela operação da Blaze no Brasil, informou que ainda não foi formalmente intimada da ação. Em nota, declarou atuar em conformidade com a legislação vigente e afirmou que prestará todos os esclarecimentos necessários assim que receber a notificação oficial.