São Bernardo capacita rede municipal sobre doença renal crônica
Ação em São Bernardo reuniu 200 profissionais de saúde para debater o diagnóstico precoce e o manejo da doença renal crônica na rede
- Publicado: 16/07/2026 22:52
- Alterado: 16/07/2026 22:52
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Prefeitura de São Bernardo do Campo
A Prefeitura de São Bernardo, por meio de sua Secretaria de Saúde, realizou nesta semana uma capacitação de dois dias voltada à qualificação de profissionais da atenção básica sobre a doença renal crônica. A iniciativa integra o cronograma de ações de educação permanente do município, cujo foco é promover atualizações constantes no atendimento prestado aos munícipes diretamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
O evento ocorreu no auditório da Faculdade de Direito de São Bernardo e reuniu cerca de 200 profissionais de nível superior, incluindo médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e nutricionistas. A atividade foi coordenada pelo Programa de Residência em Medicina da Família e Comunidade, em uma parceria estratégica entre o Departamento de Atenção Básica e Gestão do Cuidado e a Escola de Saúde pública da cidade.
O desafio do diagnóstico precoce
Uma das principais discussões da capacitação girou em torno do caráter assintomático da enfermidade, o que dificulta a detecção em fases iniciais. A equipe técnica alertou que o diagnóstico tardio da doença renal crônica limita as alternativas de tratamento preventivo, restando muitas vezes apenas as terapias de substituição renal.
De acordo com a médica de apoio do Departamento de Atenção Básica e Gestão do Cuidado, Giselle Creres, o conhecimento técnico compartilhado ajuda a reverter esse cenário:
“A doença renal crônica é uma doença que passa bastante tempo assintomática. Isso quer dizer que a maioria dos casos são diagnosticados já em estágios bem avançados, onde mudanças de hábitos como alimentação mais saudável, controle da pressão e da glicemia, já não são efetivos para o controle da doença. Nesses casos, é preciso recorrer ao tratamento com hemodiálise.”
Alinhamento e protocolo clínico
Para uniformizar o fluxo de assistência, a gestão municipal trabalha no desenvolvimento de diretrizes unificadas de atendimento para a doença renal crônica. A medida visa mapear e agilizar o caminho do paciente pelas diferentes etapas de complexidade médica.
“O município vem trabalhando desde o ano passado na criação de um protocolo clínico sobre a doença, que vai orientar todo o atendimento, desde a atenção básica, onde o cuidado se concentra, até as especialidades que esse paciente possa vir a necessitar, abrangendo toda a navegação dele dentro da rede municipal de saúde”, explicou Giselle Creres.
O foco prioritário da avaliação precoce deve ser direcionado aos grupos de maior vulnerabilidade, que incluem:
- Idosos;
- Pessoas diagnosticadas com obesidade;
- Pacientes hipertensos;
- Portadores de diabetes.
Prevenção e mudança de hábitos
O enfraquecimento e o envelhecimento acelerado dos rins ocorrem por múltiplos fatores de risco, muitos deles diretamente associados ao estilo de vida da população.
O médico Arthur Rescigno, coordenador e preceptor do Programa de Residência em Medicina da Família e Comunidade, ressalta que a doença renal crônica pode ser gerenciada com eficácia se identificada a tempo:
“Tudo isso faz com que os rins envelheçam mais rápido e vá perdendo a sua capacidade de filtrar o sangue. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maior a possibilidade do paciente ser tratado sem medicamentos, apenas com mudanças de hábitos na alimentação, como redução do sódio e aumento da hidratação, e adoção de exercícios físicos regulares.”
O especialista aponta que a intervenção médica preventiva e a mudança de hábitos diários são capazes de postergar o comprometimento dos órgãos, assegurando melhor qualidade de vida ao paciente e reduzindo a pressão financeira e operacional sobre o sistema público de saúde.