Olga estreia em SP com temporada inédita no Teatro Paulo Eiró

Espetáculo documental dirigido por Luiz Fernando Lobo chega à capital paulista em 25 de julho e revisita a trajetória de Olga Benario Prestes

Crédito: Divulgação

O espetáculo Olga será apresentado pela primeira vez em São Paulo, no Teatro Paulo Eiró, a partir de 25 de julho. Com dramaturgia e direção de Luiz Fernando Lobo, a montagem é resultado de uma ampla pesquisa realizada em arquivos brasileiros, europeus e norte-americanos, reunindo documentos primários que lançam um novo olhar sobre a história de Olga Benario Prestes.

Produzida pela Companhia Ensaio Aberto, a peça propõe revisitar acontecimentos históricos por meio do Teatro Documentário, linguagem inspirada nos trabalhos de Erwin Piscator e Peter Weiss. A proposta é confrontar versões oficiais da história a partir de registros documentais e evidências históricas.

Segundo o historiador Marc Bloch, referência para a pesquisa da montagem, “os documentos, mesmo os aparentemente mais claros, não falam senão quando sabemos interrogá-los”. Para ele, “nunca, em nenhuma ciência, a observação passiva gerou algo de fecundo”.

Teatro Documentário revisita a história

A montagem apresenta uma nova abordagem sobre acontecimentos marcantes da década de 1930, destacando contradições e omissões presentes na narrativa oficial. A dramaturgia utiliza documentos históricos para reconstruir episódios envolvendo militantes políticos perseguidos durante o governo de Getúlio Vargas.

Nascida em Munique, em 1908, Olga Benario Prestes ingressou no movimento comunista ainda na adolescência. Treinada pelo Comintern (Internacional Comunista), veio ao Brasil nos anos 1930 acompanhando Luiz Carlos Prestes em uma missão política. Em 1936, foi presa e deportada para a Alemanha nazista quando estava grávida de sete meses. A deportação ocorreu por determinação do governo Vargas. Em 1942, foi assassinada em uma câmara de gás no campo de concentração de Bernburg.

Sua filha, Anita Leocádia Prestes, sobreviveu graças a uma campanha internacional pela sua libertação. “Sou filha da solidariedade internacional”, afirma Anita ao recordar a mobilização que garantiu sua sobrevivência.

Direção destaca memória e reparação histórica

Para Luiz Fernando Lobo, a montagem busca recuperar fatos frequentemente distorcidos ao longo das décadas.

“Contamos para lembrar, para rememorar, para reparar e, sobretudo, para repensar caminhos. Durante muitos anos, repetiu-se à exaustão mentiras. A história oficial, no Brasil, negou aos revolucionários de 1935 qualquer papel relevante. O que era um levante armado virou Intentona”, afirma o diretor.

Lobo também ressalta que os responsáveis por torturas e perseguições ocorridas entre 1935 e 1937 jamais foram responsabilizados.

“Vencedores e vencidos tiveram o mesmo tratamento da história: o esquecimento ou a falsificação da realidade. Mas há uma diferença. É o esquecimento que permite a impunidade e, consequentemente, a perpetuação de crimes abomináveis. Para os torturados, presos, deportados e mortos, apenas a rememoração dessas derrotas pode reabilitá-los diante da história e evitar, como diz Benjamin, ‘a segunda morte das vítimas do passado'”, destaca.

Elenco e equipe artística

Comunista, internacionalista e antifascista, Olga iniciou sua militância aos 16 anos. Reconhecida pela coragem e preparo físico, era aviadora, paraquedista, exímia atiradora, nadadora e amazona. Aos 18 anos, participou da ação que libertou seu companheiro e mentor político, Otto Braun, de um presídio de segurança máxima.

Em 1935, veio ao Brasil como responsável pela segurança de Luiz Carlos Prestes. Em 5 de março de 1936, durante a invasão policial ao esconderijo do casal, no Méier, colocou-se à frente de Prestes e impediu que ele fosse morto. Anos depois, acabou assassinada pelo regime nazista, tornando-se um dos principais símbolos da resistência ao fascismo.

O elenco reúne atores do núcleo artístico da Companhia Ensaio Aberto. Tuca Moraes interpreta a protagonista. A equipe criativa conta ainda com cenário de J.C. Serroni, figurinos de Beth Filipecki e Renaldo Machado, iluminação de Cesar de Ramires, direção musical e trilha original de Felipe Radicetti e produção executiva de Aninha Barros.

Temporada marca retorno da montagem

O espetáculo foi apresentado em 30 sessões entre agosto e setembro de 2025, no Armazém da Utopia, no Rio de Janeiro, onde retorna para nova temporada entre agosto e setembro de 2026.

As apresentações no espaço carregam um significado histórico: foi justamente do porto do Rio de Janeiro que Olga Benario Prestes embarcou, deportada no navio La Coruña, rumo à Alemanha nazista, episódio que marcou definitivamente sua trajetória.

Serviço

OLGA SÃO PAULO

Gratuito

De 25 de julho a 2 de agosto

Local Teatro Paulo Eiró, Av.Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro, São Paulo
Horário quarta a sábado às 20h | domingo às 19h

Lotação 291 lugares
Ingressos Retirada de ingressos antecipados por lotes, a partir do dia 4/7/2026

Abertura da casa 1h antes do início do espetáculo, com cota de ingressos liberados no dia por ordem de chegada, sujeito a lotação

Agendamento de grupos pelo whatsapp (21) 97976-0046

Classificação indicativa: 14 anos

Duração: 70 minutos

Haverá intérprete de libras nos dias 30/07 (quinta-feira) e 31/07 (sexta-feira)

  • Publicado: 20/07/2026 14:43
  • Alterado: 20/07/2026 14:43
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: Companhia Ensaio Aberto