Mulher morre por febre maculosa em São Bernardo
Morte por febre maculosa acende alerta sobre a doença, transmitida pela picada de carrapatos infectados
- Publicado: 22/07/2026 14:15
- Alterado: 22/07/2026 14:16
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FOLHAPRESS
Uma mulher de 43 anos morreu em decorrência de febre maculosa em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Embora o falecimento tenha ocorrido em março, a confirmação do caso foi divulgada apenas agora. De acordo com a Prefeitura, o município não registrou novos casos da doença ao longo de 2025.
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, a vítima não buscou assistência médica durante o período em que apresentou sintomas. O diagnóstico foi confirmado somente após a morte.
Febre maculosa mobilizou ações de vigilância em São Bernardo
Após a confirmação do caso, o Departamento de Vigilância Epidemiológica, a Divisão de Veterinária e o Controle de Zoonoses realizaram uma operação na região onde ocorreu a provável infecção. As equipes fizeram buscas por carrapatos potencialmente contaminados e aplicaram pesticidas para reduzir o risco de transmissão.
Além das ações de campo, os profissionais da rede municipal de saúde receberam orientações e capacitação para reconhecer precocemente os sinais e sintomas da febre maculosa, reforçando a capacidade de diagnóstico e atendimento.
A Secretaria Municipal da Saúde também recomenda atenção especial à circulação de animais de estimação em áreas de mata, já que cães e outros animais podem transportar carrapatos até ambientes urbanos.
Estado registra 19 casos e 18 mortes em 2026
Conforme dados da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, o estado contabilizou, em 2026, 19 casos confirmados da doença e 18 óbitos, o que representa uma taxa de letalidade de aproximadamente 94,7%.
As investigações apontam que os prováveis locais de infecção estão distribuídos entre os Grupos de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Piracicaba, com três casos; Campinas, com cinco; Sorocaba, com três; Santo André, com um; e São José dos Campos, também com um.
As mortes foram registradas nas áreas dos GVEs de Piracicaba e Sorocaba, com três ocorrências cada; Campinas, com quatro; Santo André, com um; e São José dos Campos, com um. Os demais casos e óbitos seguem em investigação para definição do local provável de infecção.
Sintomas e tratamento da febre maculosa
A febre maculosa é uma infecção aguda provocada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida principalmente por carrapatos das espécies Amblyomma sculptum e Amblyomma cajennense, popularmente conhecidos como carrapato-estrela, carrapato-de-cavalo ou rodoleiro.
Entre os principais sintomas estão febre de início súbito, dores intensas de cabeça, no corpo e nas articulações, fraqueza acentuada, cansaço e o aparecimento de manchas avermelhadas na pele entre o terceiro e o quinto dia da doença. As lesões costumam surgir inicialmente nos punhos e tornozelos, espalhando-se posteriormente pelo corpo, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés.
Ao perceber sintomas após contato com áreas de risco, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente e informar ao profissional de saúde sobre a possível exposição a carrapatos. O tratamento precoce aumenta significativamente as chances de recuperação.
A doxiciclina é o medicamento indicado para todos os casos suspeitos de febre maculosa, independentemente da idade ou da gravidade do quadro. Em geral, o tratamento dura sete dias, podendo ser encerrado entre 48 e 72 horas após o desaparecimento da febre, desde que haja avaliação médica. Quando a doxiciclina não pode ser utilizada, o cloranfenicol é a alternativa recomendada.
Como prevenir a doença
Para reduzir o risco de infecção, as autoridades orientam evitar áreas infestadas por carrapatos sempre que possível. Em locais de risco, é recomendado utilizar botas, calças compridas e blusas de manga longa, além de inspecionar frequentemente a pele e as roupas para remover carrapatos rapidamente, evitando esmagá–los com as unhas. Também é importante verificar regularmente a presença desses parasitas em animais domésticos e utilizar repelentes ao entrar em áreas de vegetação.